Abordagens ou linhas de psicoterapia

:: Abordagem Sistêmica

É uma abordagem da Psicologia que integra em suas bases uma concepção atualizada e compatível com a Concepção Sistêmica da Vida atualmente conhecida e explorada sob a forma de Ecologia Sistêmica. Nesta concepção, os sistemas, sejam eles familiares, escolares e ou empresariais são reconhecidos e considerados, formam um TODO e todos devem pertencer a este sistema com igual importância e valor. Todos os elementos participantes do sistema em constante relações e interações em um movimento de todas as partes. Os sistemas e suas redes interacionais se encontram em constante processo de renovação e auto-organização. 

Os sistemas vivos complexos, tais como as famílias, casais, empresas, etc... são observados em constante desenvolvimento com  trocas contínuas.

Quando em um sistema um elemento se encontra disfuncionando observa-se que todo o sistema está com o problema.

Na perspectiva sistêmica, as transformações nos indivíduos e na estrutura familiar são o resultado de um processo de interação em que as alterações do comportamento de cada membro influenciam e simultaneamente são influenciadas pelo comportamento de todos os outros.

Por exemplo: se numa família uma criança apresenta um problema escolar ou de comportamento, isso indica que, neste sistema, outras relações, muitas vezes do casal, estão com problemas.

Nas famílias,  o movimento de vida contínuo é chamado de ciclo vital da família. Possuindo fases do desenvolvimento familiar, que apresentam determinadas crises pertinentes às próprias fases;  casais em seus anos iniciais de casamento ou casais com filhos pequenos, famílias de filhos adolescentes e famílias com "ninho vazio". Fases de crises na própria auto-organização dos sistemas.

Nas trocas interacionais entre os elementos componentes do sistema, podemos trabalhar uma questão básica geradora de muitas dificuldades, a comunicação humana. Na comunicação internacional que as mensagens e as intenções não ficam claras oportunizam compreensões distorcidas e dificuldades relacionais

Em uma terapia, a negociação de regras e distribuição de funções dentro dos sistemas, considerando sua estrutura funcional e seu ciclo vital (etapa do desenvolvimento à qual o sistema se encontra) são questões facilmente administráveis 

Em nossa prática, de quase quatro décadas, cada vez mais percebemos o envolvimento dos filhos nos conflitos dos pais, metaforizando em si, os sintomas do próprio sistema familiar. Os filhos buscam chamar a atenção de seus pais para si através de dificuldades ou exageros para que estes pais se distraiam dos seus problemas originais. Os filhos se colocam em sacrifício baseados no pensamento mágico (infantil e onipotente) de beneficiar seus pais.

A prática sistêmica acompanha outras ciências, tais como a biologia, a matemática e a física em seu desenvolvimento científico.

Nas famílias, verificamos a questão da Multigeracionalidade, várias gerações anteriores (antepassados) presentes nas identificações e sofrimentos das gerações atuais. São processos de identificação geradores das Lealdades Invisíveis na busca do pertencimento. São formas de se sentir vínculado à sua família de sangue.

Observamos nestes anos, que muitas doenças se encontram ligadas às questões de perdas em tenra idade. Perdas dos pais e/ou dos irmãos, na sua geração ou nas gerações anteriores. Muitas depressões pós parto podem estar conectadas às perdas de crianças nas gerações anteriores.

Assim, os acontecimentos sistêmicos das famílias nos mostram que nas gerações atuais, os sofrimentos e insucessos não pertencem somente ao sistema familiar atual mas principalmente como uma re-organização do sistema maior, o seu sistema da ancestralidade. São histórias vividas pelos ancestrais e passam a se fazer presente nas gerações atuais. 

São muitos os autores que iniciaram o movimento da Terapia Familiar Sistêmica e sua necessidade apresentou-se quando os profissionais de saúde mental observaram que nas famílias com um elemento internado, havia uma piora com a visita dos familiares. Percebeu-se a necessidade de incluir a familia nas intervenções terapêuticas. Pois o indivíduo faz parte deste sistema familiar

:: Abordagem Sistêmica Fenomenológica de Constelações Familiares

Também baseada interação e inter-relação entre todas as partes, ou visão sistêmica, acrescenta em sua concepção a atemporalidade da alma e o movimento maior terapêutico de inclusão de todos. Para as Constelações, o amor maior da Consciência Divina une a todos e é curador.

Para esta filosofia, a situação presente mostra, no fenômeno que acontece no presente, a necessidade de harmonizar conexões que ficaram pendentes no passado. Situações de exclusão, de vitimação ou de injustiças. Sua base filosófica se caracteriza pela existência de um continum VIDA & MORTE ou seja, as situações na vida estão diretamente ligadas às situações da morte, sendo a alma eterna e promotora do movimento do espírito. Movimento este que busca a harmonização dentro da Consciência Divina e Universal.

As Constelações Familiares buscam incluir todos aqueles que de uma maneira ou de outra, se encontram excluídos dos demais membros dos sistemas. Seus pressupostos se encontram baseados nas "Ordens do Amor"ou "Leis dos Relacionamentos Humanos" e podem ser usadas para qualquer interação humana seja ela, com outras pessoas, situações, doenças, etc...

Esta abordagem pode ser realizada em grupos ou em atendimento individual com bonecos e âncoras

Atualmente seu autor Bert Hellinger entrega o trabalho da Constelações Familiares para um movimento maior, o movimento do espirito, o movimento da alma que é eterna e a vida atual passa a ser vista como uma passagem em muitas vidas. Para ele, o movimento do espírito, que liga a todos e a tudo tem sua própria cognição e intenção.

Neste trabalho, observamos dinâmicas importantes que se repetem: quando a criança percebe que um de seus pais quer morrer, a criança diz internamente - eu faço por você mamãe/papai. Ou, quando a criança perdeu um dos seus genitores muito cedo, em uma época em que não tinha estrutura para elaborar tal perda (até 7 anos) a criança diz internamente - eu sigo você! 

Laia mais: http://www.marusa.psc.br/livro.html 

:: Abordagem Centrada na Pessoa

"Só quando nos dermos tempo suficiente para sermos tocados pelos outros e por suas experiências de estar em relação, é que temos o privilégio de lhes dizer, aquilo que experimentamos em sua presença, e aí as pessoas ficam fascinadas consigo mesmas, ao sentirem-se ouvidas e vistas". Carl Rogers

Nesta abordagem o ser humano é reconhecido em seu potencial inato de construção positiva e aprimoramento de suas potencialidades.

Se lhes for oferecido um clima facilitador, na relação terapêutica, através da segurança, do afeto e da autenticidade do terapeuta, onde possa ser compreendido empaticamente, o indivíduo por si mesmo desenvolverá cada vez mais o uso de sua "tendência atualizadora" na busca de sua satisfação para uma vida plena.

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